domingo, 20 de agosto de 2023

TRENS DE MINAS

 

 
O passeio começa da estação ferroviária de Rio Acima, uma construção de 125 anos, totalmente restaurada e que hoje abriga, além da bilheteria, a biblioteca pública municipal e um pequeno museu com fotos e uma representação em escala reduzida da ferrovia. O local possui também uma pequena lojinha com artigos para presentes e itens relacionados às ferrovias. 
 
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O ambiente da estação ferroviária leva o turista a uma viagem no tempo. O apito avisa a aproximação da 1a Maria Fumaça em funcionamento na grande BH. Datada de 1924, a locomotiva fabricada em Berlim trabalhou nas lavouras alemãs por 16 anos. Em 1940, veio para o Brasil, na cidade de Timbó, na Paraíba, onde transportou cana-de-açúcar.
 
Depois de alguns anos parada, a máquina foi arrematada em um leilão por Flávio Iglésias, coordenador do Centro de Referência Ambiental e Turística - CRAT. "A intenção era trazer mais uma atração para o município, que tem como âncora o ecoturismo, com dezenas de cachoeiras. O trem puxa o movimento turístico da região", afirma. 
  
Durante o percurso, os passageiros podem conhecer um pouco da história de Rio Acima, seus principais pontos turísticos e cachoeiras, através de um vídeo que é transmitido a bordo do trem. Além disso, músicos e artistas locais se apresentam pelos vagões voluntariamente. Há ainda a opção de incluir no passeio um café colonial, que é pago separadamente.
 
Antes de entrar no trem, o bilheteiro marca a entrada do passageiro, como se fazia antigamente. Os funcionários, maquinista, chefe da estação e comissários, usam roupa de época. Os vagões são bem estruturados, limpos e confortáveis e oferecem uma ótima visibilidade.
 
Mas Flávio quer incrementar o negócio, trazendo mais atrações para o passeio. "Temos o projeto de um trem cervejeiro, onde faremos degustação de cervejas artesanais mineiras durante o trajeto. Outra idéia é a de promover passeios noturnos, incluindo jantares a bordo do trem e bailes na estação, à moda antiga", afirma.
 
 
* Imagem: Maria Fumaça na Estação Ferroviária de Rio Acima 

Apaixonado por trens, neto e bisneto de maquinistas, Flávio transformou a locomotiva, carinhosamente apelidada de Elizabeth, em um trem turístico, batizado, por votação popular, de Trem das Cachoeiras. Parte de uma composição com mais três vagões, a Maria Fumaça faz um trajeto de 7 km em 55 minutos, de Rio Acima a Honório Bicalho, margeando o Rio das Velhas.
 
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Em funcionamento há três anos, já foram contabilizados 31 mil passageiros. "Esse número é muito significativo, visto que a cidade tem apenas cerca de nove mil habitantes. Fico emocionado, porque é muito esforço. Aos poucos temos conseguido atingir nossos objetivos", diz Flávio.
 
Foram investidos cerca de R$ 3 milhões no projeto, com reformas da linha férrea e da estação, contratação dos estudos de viabilidade e implantação, compra dos carros de passageiros e a construção da garagem que abriga o trem".
 

*Consulte sobre os passeios exclusivos nas quintas e sextas
Informações e reservas: (31)3545-2947 / 3129-8846/ 9219-6777
 

INFORMAÇÕES DO TREM DAS CACHOEIRAS

Embarques:

Sábado, Domingo e Feriado

10h, 13h, 14h30min e 16h

 

Tarifas Ida e Volta:

Carro Simples R$20,00*

Carro Panorâmico R$28,00*

Consulte sobre os passeios exclusivos nas quintas e sextas
Informações e reservas: (31)3545-2947 / 3129-8846/ 9219-6777

 
 
 

TREM DA SERRA DA MANTIQUEIRA
 
O Trem da Serra da Mantiqueira é operado pela regional Sul de Minas da ABPF na cidade de Passa Quatro - MG. O trem parte da estação central de Passa Quatro, que fica no km 34 da antiga The Minas and Rio Railway Company, numa viagem que dura duas horas, em direção a estação Coronel Fulgêncio, localizada no alto da Serra da Mantiqueira, próxima ao Grande Túnel, na divisa dos estados de MG e SP, totalizando 20 km de passeio (ida e volta). Antes da partida, os passageiros podem visitar uma exposição fotográfica no hall da estação ao som de música típica regional. O primeiro destino é a estação Manacá, no km 30 da ferrovia, onde é feita uma breve parada para os turistas poderem visitar uma feira de artesanato e guloseimas enquanto a locomotiva é preparada para subida da serra.
 
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Partindo da estação Manacá o trem inicia a subida da serra, passando pelas corredeiras do Manacá e a ponte Estrela. Chegando na estação Coronel Fulgêncio, km 25, o trem realiza uma nova parada, quando os passageiros podem então conhecer a exposição fotográfica de minisséries filmadas no local, Mad Maria e JK - ambas da Rede Globo ; fotos de máquinas e carros recuperados pela ABPF; e fotos da Revolução Constitucionalista de 1932. Também é oferecido um passeio cortesia ao Túnel. Após as manobras, o trem parte de volta a Passa Quatro, fazendo uma breve parada na ponte Estrela para fotografias.
 
https://abpf.dreamhosters.com/wp/wp-content/uploads/2015/06/estacao_manaca.jpg
 
O trem é formado pela locomotiva 332, uma genuína locomotiva a vapor, construída em novembro de 1925 pela Baldwin Locomotive Works, USA. Do modelo Pacific (rodagem 4-6-2) traciona dois carros de passageiros de madeira construídos nas oficinas de Belo Horizonte da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1956. Atualmente nas oficinas de Cruzeiro está sendo reformada a locomotiva 552, uma Mikado (rodagem 2-8-2), construída pela juntamente co ALCO, USA em 1926 que em breve irá trabalhar notr em juntamente com a locomotiva atual.
 
 
Trem da Serra (Passa Quatro – Coronel Fulgêncio)
• Funcionamento: sábado e domingo
• Saídas (Passa Quatro): Sábados às 10h e 14h30 e domingos às 10h.
• Preço: R$ 45.
• O passeio dura cerca de duas horas. O trem para por 15 minutos na estação Manacá, onde os
passageiros podem visitar uma feira de artesanato. Depois de 12 quilômetros percorridos, chega à
estação Coronel Fulgêncio e retorna.

 

 
Este é mais um dos encantadores passeios de trem em Minas Gerais. Com duração total de duas horas, o trem parte da estação de São Lourenço e segue para Soledade, sempre às margens do Rio Verde. O Trem das Águas é operado pela regional sul de Minas da ABPF. Em Soledade o turista é recebido por uma feira de artesanato, que inclui também quitutes locais como doces, pastéis, garapa, etc. Em seguida o trem segue de volta para São Lourenço em uma viagem animada por violeiros, totalizando 20 km de passeio (ida e volta).
O trem é tracionado por uma autêntica locomotiva a vapor, sendo que em São Lourenço existe à disposição do trem a locomotiva 327, uma máquina inglesa de 1928 do tipo Pacific (rodagem 4-6-2) e a locomotiva 1424, uma máquina americana de 1927 do tipo Mikado (rodagem 2-8-2). O trem é formado por até oito carros de passageiros, sendo na maioria antigos carros de madeira e dois antigos carros de aço carbono.
O trem disponibiliza um carro que é utilizado para a Classe Especial, que possui bancos estofados e durante o trajeto o passageiro pode degustar opções de vinho, cachaça, licores, saborear queijos diversos e doces típicos. São Lourenço é um dos maiores pólos turísticos da região e a maior atração é o Parque das Águas, com diversas fontes e uma grande variedade de águas. Existem também passeios de charrete, um teleférico, lojas de artesanato e outros produtos típicos, além de uma grande rede hoteleira.
* Imagem: Trem das Águas de São Lourenço
 
Trem das Águas (São Lourenço – Soledade de Minas)
• Funcionamento: sábado e domingo
• Saídas (São Lourenço): Sábados às 10h e 14h30 e domingos às 10h
• Preço: R$ 50 (vagão tradicional) e R$ 65 (vagão especial, com banco estofado e degustação de
queijos, doces e vinhos).
• O passeio dura cerca de duas horas. O trem para em Soledade de Minas e os passageiros podem
visitar o museu ferroviário e uma feira de artesanato.
 

TREM VITÓRIA MINAS
Este roteiro é a mais longa viagem de trem que atravessa Minas Gerais. A viagem completa tem 664 quilômetros e dura cerca de 13 horas. Além do conforto, o trajeto é agradável, com paisagens belíssimas, vistas maravilhosas das regiões montanhosas, passando por cidades coloniais às margens do Rio Piracicaba e do Rio Doce, em Minas, até chegar ao litoral capixaba. A Estrada de Ferro Vitória - Minas (EFVM), da Vale, opera o único trem de passageiros diário no Brasil e liga Belo Horizonte a Vitória, no Espírito Santo. Em funcionamento desde 1907, o serviço incentiva o turismo e transporta cerca de um milhão de passageiros por ano. Agora, não há mais janelas, os vagões são 100% vedados, têm ar-condicionado e tratamento acústico em todas as classes (executiva e econômica). Os investimentos da Vale para a aquisição dos vagões foram de US$ 80 milhões. Foram comprados 56 novos carros (10 de classe executiva, 30 de classe econômica, além de carros restaurante, lanchonete, gerador e vagão exclusivo para portadores de necessidade especiais - cadeirante e pessoas com dificuldade de locomoção). Há serviço de bordo em todos os ambientes. O trem conta com internet wi-fi e conteúdo de entretenimento off-line gratuitos.
 
 
Serviço:
 
Outros trens turísticos de Minas:
 
Ouro Preto – Mariana
• Funcionamento: de sexta a domingo
• Saídas (Mariana): 13h e 16h (sexta e sábado) e 11h30 e 15h (domingo)
• Saídas (Ouro Preto): 10h e 14h30 (sexta e sábado) e 10h, 13h30 e 16:30h (domingo)
• Preço: R$ 25 (ida) e R$ 40 (ida e volta). Crianças de 6 a 10 anos e maiores de 60 anos pagam meia.
• O passeio dura cerca de uma hora.
 
São João del-Rei – Tiradentes
 
• Funcionamento: sextas e sábados
• Saídas (São João del-Rei): 10h, 12h (em dias especiais) e 15h
• Saídas (Tiradentes): 11h (em dias especiais), 13h e 17h 
• Preço: R$ 40 (ida) e R$ 56 (ida e volta). Estudantes, crianças de 6 a 10 anos e maiores de 60 anos
pagam meia.
• O passeio dura cerca de 40 minutos.
 

   

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Cachoeira da Moranga

Realizada em 31 de janeiro de 2016

A primeira caminhada de 2016 foi em uma área tão próxima porém ainda desconhecida; o início da trilha fica localizado antes mesmo de chegarmos na Praça Afonso Viseu (Espaço Sagrado Da Curva Do S). Trata-se de uma área limítrofe ao Parque Nacional da Tijuca (PNT) regulamentada pela prefeitura usada pelos religiosos de matriz afro-brasileira para a prática de rituais com alimentos e bebidas, conhecidas como oferendas.


O início da caminhada é ao nível da rua onde devemos atravessar um gramado que usualmente fica cheio de urubus; basta cruzar o rio e já é possível encontrar a trilha. Por conta das inúmeras oferendas a calha do rio se encontra bastante suja. Na foto acima, tirada antes de atravessarmos a avenida, é possível avistar as torres de transmissão de energia; tenha em mente que devemos subir na direção destas estruturas.



O Morro do Moganga possui 554 metros de altitude sendo bem conhecido pelos escaladores cariocas. O acesso às suas vias pode ser feito pela mata, entre uma ponte na Estrada do Alto da Boa Vista e as casas próximas à parede. São vias pouco frequentadas, pois o acesso é dificultado pelas casa do local.


Fininho San e suas polainas que ele insiste em chamar de perneiras; desde o incidente botrópico no Alto dos Ciganos nosso intrépido cientista malungo nunca mais foi o mesmo! Pra quem deseja se sentir mais seguro em um eventual encontro com répteis indesejáveis sugiro comprar perneiras de segurança ou de montaria em lojas especializadas de EPI. Devemos ter em mente que podemos esbarrar com animais peçonhentos especialmentes serpentes como caninanas, corais, jararaca e jararacuçus.



Depois de um início meio confuso e uns 10 a 15 minutos de subida encontramos um primeiro ponto de água e saindo dele um sistema de captação que deve abastecer as mansões de alguns bacanas na Avenida Edson Passos. Em vez cruzar o rio, vamos voltar poucos metros e continuar subindo na direção S/SE, se distanciando levemente do curso d'água.



Mais alguns poucos minutos de subida e é possível ouvir uma forte queda d´'agua. Claro que saímos um pouco da trilha e fomos lá conferir e para nossa surpresa havia uma bela cachoeira suficiente para que fizéssemos uma parada para banho. Não sei se existe algum registro desse refrescante "chuveirinho" mas vamos chamar este lugar de Cachoeira da Moranga, a partir de agora.


Impressionante como locais como esse ainda passam desapercebidos da maioria da população, alguns acham que esses paraísos devem permanecer secretos. A verdade é que existem várias cachoeiras dentro do PNT que ainda são desconhecidas de grande parte dos caminhantes de fim de semana. 

domingo, 28 de junho de 2015

Morro do Castelo do Frade (Macaé - RJ)

Realizada em 27 de junho de 2015

Esta caminhada foi a primeira realizada na região serrana do município de Macaé, mais precisamente no distrito do Frade. Para chegar até lá é preciso pegar o ônibus S-13 a partir do Terminal Central de Macaé. A viagem é longa levando em média 1 hora até o início da caminhada mas o preço da passagem (R$ 1,00) e o visual do Pico do Frade ao longo do percurso compensam.


O ônibus passará por vários distritos (Córrego do Ouro, Trapiche, Óleo, Glicério) e o local para descer é um pouco antes de entrar no Frade, onde tem uma ponte sob o Rio São Pedro, logo após a confluência deste com o Rio Macabu. Seguiremos pela estradinha de terra na direção da Usina de Macabu (sentido norte), tendo o rio à nossa esquerda.



Em poucos minutos passaremos por outra ponte e o Rio Macabu ficará à nossa direita. Depois de aproximadamente 1 km de caminhada no plano encontraremos algumas casas e logo após já será possível avistar o castelo d'água da Usina de Macabu no alto à esquerda (foto abaixo).


Uns 50 metros antes de chegarmos à Usina propriamente dita, vamos sair da estrada de terra e pegar o caminho à esquerda. Vamos passar por trás de um campo de futebol e subir à direita, sendo necessário passar, logo em seguida, por uma porteira azul de ferro .


Na verdade, boa parte da caminhada que vamos realizar utiliza uma pista de mountain bike bastante famosa na região serrana de Macaé. Vários campeonatos de downhill já foram realizados neste percurso. A pista liga o "Castelo" ao Clube da Usina no Frade, cortando as trilhas dentro da mata e os caminhos de manutenção das instalações da Usina, com obstáculos naturais e pontes provisórias, montadas pelos organizadores dos campeonatos.

 

O Castelo do Frade, nada mais é do que uma estrutura de concreto para captar recursos hídricos oriundo da Represa da Tapera para alimentar a usina hidrelétrica localizada próximo à entrada do Frade. A Represa da Tapera também é conhecida como Represa de Sodrelândia e fica no outro lado da Serra dos Crubixais.


No inicio do século XX, Macaé ainda não possuia luz elétrica, enquanto seu município vizinho, Campos dos Goytacazes, já contava com esse recurso desde 1883, tendo sido a primeira cidade do Brasil a utilizar este tipo de iluminação.


Até 1917, as casas e ruas onde trafegavam os bondes puxados por burros eram iluminadas por lampiões, alimentados pelo óleo de mamona, também conhecido como azeite de baga. Ao anoitecer, os funcionários da Prefeitura acendiam os lampiões e os apagavam às 02:00hs, com exceção aos sábados e domingos que ficavam acesos até a meia-noite.

                                           

Em agosto de 1917, a Prefeitura de Macaé instalou um moderno sistema de iluminação da cidade. Na atual Praça da Luz, onde hoje está o Colégio Estadual Luiz Reid, foi construida uma casa para abrigar o motor a óleo, para iluminar ruas e residencias.


A exemplo dos lampiões, o motor da casa de força era ligado às 18h00 e desligado às 02h00hs, por medida de economia, com exceção aos sábados e domingos, que era desligado à meia-noite. Era comum as pessoas que estavam na rua, voltarem apressadas para casa, quando observavam que faltavam poucos minutos para a luz apagar. A luz continuava de má qualidade; servia apenas para iluminação. Contudo foi um grande avanço considerando-se o sistema anterior.


Com o potencial hidroelétrico descoberto na serra, investidores começaram a construir a primeira usina em Glicério em 1926, sendo colocada em operação na década de 40. A atual Usina Velha de Glicério passou a iluminar a cidade com luz alternada, de melhor qualidade. 


                                    

Depois de um breve descanso em um descampado onde é possível ver à esquerda o castelo d'água com sua grande rampa onde os dutos estão assentados, continuamos a subida por um caminho bem aberto. A orientação aos poucos passa de N para NW e o caminho vai se estreitando até virar uma trilha de fato.  
  

Paramos em um mirante pra tirar uma selfie da galera de onde é possível ver a rodovia RJ-162 serpenteando a encosta da Serra do Frade de Macaé. Deste ponto, além do imponente Pico do Frade também é possível avistar em dias limpos a Pedra da Freira e parte da Serra da Peroba, todos à leste.


Em 1931, após o início das obras da Usina de Glicério, foram iniciados estudos preliminares para a instalação de uma outra usina hidrelétrica na Bacia do Rio São Pedro. O objetivo era integrar esta nova hidrelétrica à usina de Glicério para melhorar o serviço de geração e distribuição de energia elétrica para o município de Macaé.


Na época, o local escolhido para a implantação do projeto abrangeu dois trechos de duas bacias hidrográficas: o primeiro entre Tapera e Sodrelândia (Trajano de Morais) a 630 metros de altitude e o outro ponto no Frade, a uma altitude 300 metros. Entre os vales das duas bacias estendem-se os contrafortes correspondentes à Serra de Crubixais, obstáculo orográfico que teve que ser vencido por um túnel de 4.907m de comprimento que levaria àgua até as turbinas da usina. Segundo consta, diversos trabalhadores morreram durante as explosões para a abertura do túnel



Depois de atravessar o túnel e de movimentar os geradores, se juntaria às águas do rio São Pedro – engrossando seu caudal – e iria mover a usina de Glicério, com 110m de queda (desnível). A construção foi iniciada em 21 de setembro de 1939 pela Comissão Central de Macabu, composta de engenheiros e técnicos brasileiros e japoneses.



Naquela época, ainda não havia no Brasil conhecimento tecnológico para construções de hidrelétricas do tipo de Macabu. As grandes usinas existentes foram projetadas e construídas por técnicos estrangeiros. Não havia fabricação no Brasil de equipamentos eletromecânicos e, assim, foi aberta uma concorrência internacional para  fornecimento desses insumos com o objetivo de iniciar a primeira etapa das obras, ganhando a japonesa Hitachi.


Com o início da Guerra o projeto foi interrompido pela primeira vez em 1941, quando os japoneses foram ‘expulsos’ do país. 

Um ano depois as obras recomeçaram e novamente paralisaram em 1947, dessa vez por falta re recursos. Retomadas no ano seguinte, as obras culminaram com a entrada em operações de duas turbinas no dia 11 de janeiro de 1950.


No início da década de 40 com a inauguração da hidrelétrica de Glicério, Macaé passou a ser iluminada com circuito de corrente alternada, de melhor qualidade. Esta situação perdurou até a conclusão das obras da Usina Macabu, que melhorou consideravelmente o fornecimento de energia elétrica na região.


Todavia, as interrupções eram rotineiras, de dia e a noite. O cinema Taboada muitas vezes devolvia o dinheiro aos frequentadores, por que não exibia o filme, por falta de energia, pois logo que a luz apagava a central elétrica mandava avisar que a luz só voltaria no dia seguinte.

         
Outras vezes, o cinema, cheio de espectadores, ficava no escuro por uma ou duas horas esperando a luz voltar para dar sequência a sessão. A algazarra era grande, mas tudo sob absoluta ordem. Era comum ouvirmos os poetas anônimos, na escuridão, declararem seus versos, muitos criticando os serviços de luz e água, um dos quais assim dizia; Macaé, Terra que seduz, de dia falta água, de noite falta luz.


Desta maneira, a história de Macaé também é marcada por sua importante contribuição na matriz energética brasileira a partir de 1950. Foi no início da década de 50 que Macaé ganhou status de geradora de energia com a entrada em operação das usinas hidroelétricas de Glicério e Macabu, com sua história marcada por dificuldades e tragédias.


Em 4 de fevereiro de 1961, houve um acidente devido às fortes chuvas que carregaram material sólido para o canal de fuga da usina, entulhando-a até a borda, paralisando as atividades.


Houve também o rompimento do túnel que causou um início de desmoronamento da encosta sobre a casa de máquinas de Macabu. O laudo conclui como a causa principal do estouro do túnel a deficiência de ferro encontrada na seção fraturada, mostrando nitidamente que a execução desse trecho não obedeceu ao que constava no projeto.


No trecho onde houve o acidente, havia exatamente a ferragem projetada para rocha compacta quando, na realidade, face às características geológicas naquele segmento do túnel, exigia-se que fosse colocada ferragem projetada para rocha branda que, por ser mais permeável e menos resistente a pressão (cobertura insuficiente do túnel), exigia que o concreto teria que ser amarrado com uma porcentagem de ferro muito maior do que encontrada no ponto em que ocorreu a ruptura (RESUMO HISTÓRICO DA CONSTRUÇÃO DA USINA MACABÚ).


Na madrugada em que ocorreu o acidente com o túnel, foram chamados engenheiros e responsáveis pela obra à usina. Constataram que da montanha desciam toneladas de matacões de pedras que formavam uma barragem nas tubulações o que, na verdade, salvou a usina impedindo que fosse totalmente destruída.


Iniciou-se o trabalho mais dramático que todos tinham visto. Todos os empregados irmanaram-se durante 53 dias e 53 noites incansavelmente, até colocarem a usina Macabu novamente em funcionamento, o que só ocorreu em 28 de março de 1961. Durante a paralisação da usina de Macabu, todo o centro norte fluminense ficou praticamente às escuras. As necessidades de energia foram supridas em parte pelas usinas Tombos e Franca Amaral e a companhia de energia de Nova Friburgo, as quais socorreram Macabu, fornecendo eletricidade apenas para reparos na usina.

  
Contudo, as interrupções no fornecimento de energia perduraram até o início da década de setenta, quando foi unificada a ciclagem no país. A região gerava energia de 50 Hz, não podendo, consequentemente, se interligar com outras redes de 60 Hz. Com a unificação, o nosso sistema foi interligado com Furnas (60 Hz, resolvendo assim, o velho problema).


Toda energia consumida em Macaé era gerada pela usina de Glicério integrada à de Macabu, até 1970, quando a usina de Glicério foi desativada e a de Macabu integrada a Furnas (Informações retiradas do livro: Macaé Sintese Geo-Histórica).


Hoje, as usinas de Glicério e Macabu pertencem a Quanta S/A, produzem energia para abastecer milhares de residências e mantém-se como um patrimônio histórico de grande valor para o município.









sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Morro de São João (Rio das Ostras - RJ)

Realizado em 20/11/2014 
 
 
O Morro de São João se destaca como uma elevação brusca de aproximadamente 800 m e essa imponência domina a paisagem local. Pode ser apreciado desde municípios vizinhos e até por imagem de satélite. Sua exuberante vista chama atenção de turistas que frequentemente realizam trilhas para contemplá-la. Ele é recoberto por vegetação típica de Mata Atlântica preservada. O morro, quando visto por imagem de satélite ou fotografia aérea, revela ao observador uma feição circular em planta. Em 3D tem a forma de um cone, o que inspira a ideia de que se trata de um vulcão extinto. Mas não é bem assim! As rochas do Morro de São João foram formadas por cristalização do magma (rocha fundida), daí serem classificadas como ígneas ou magmáticas. O magmatismo é típico de limites de placas tectônicas, mas, também, as rochas do Morro não se formaram em limites de placas. A formação do Morro de São João pode ser explicada pela Teoria proposta pelo meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener no início do século XX denominada “Tectônica de Placas”, a qual sugere que a superfície terrestre é constituída por placas que se movimentam em diversas direções. Ele foi muito criticado por isto. Com o avanço das técnicas e tecnologia, a Geologia, hoje, pode informar que as placas se movem numa velocidade de poucos centímetros por ano, podendo se amalgamar em grandes massas continentais ou se fragmentar em porções menores. A América do Sul e África se separaram há cerca de 130 milhões de anos. Mas, há 65 milhões de anos, justamente no final do Cretáceo, quando os dinossauros se extinguiram, a região que hoje corresponde ao território do Estado do Rio de Janeiro esteve sobre uma anomalia térmica, uma grande região muito quente no Manto da Terra. À medida que a placa sul-americana se movimentava lentamente para oeste, essa anomalia de calor promovia a fusão das rochas que estavam na sua vizinhança. Este magma migra, então, em direção à superfície e intrude (invade) as rochas pré-existentes da região, que neste caso são bem antigas, pois possuem cerca de 2 bilhões de anos. Enquanto esta anomalia é fixa e a placa se movimenta, é formado um rastro de rochas ígneas ao longo do caminho percorrido. Estudiosos indicam que o alinhamento formado de feições magmáticas se estende desde Poços de Calda (MG) até Cabo Frio (RJ), e um desses registros é o que hoje conhecemos como o Morro de São João. No caso do Morro de São João, apesar de seu relevo sugestivo, não é possível identificar a presença de rochas que indicam a ocorrência de erupções vulcânicas em superfície. Estas rochas têm texturas muito finas porque esfriam muito rapidamente e podem até ser formadas por vidro! Também podem ser compostas de material ejetado dos vulcões, como cinzas e bombas. Mas, estes tipos de rocha não foram encontrados no Morro. As rochas do Morro de São João têm textura grossa, onde podem ser observados os minerais muito claramente, indicando que se cristalizaram lentamente em profundidade, o que é típico de rochas plutônicas. Plutão, na mitologia, é o senhor das profundezas. Já Vulcano é o senhor do fogo, dos vulcões na superfície. Assim, se um dia o Morro de São João foi um vulcão, os processos de alteração, erosão e transporte, já retiraram todo este material e o que vemos hoje é parte do corpo solidificado em profundidade. As rochas ígneas geradas neste episódio apresentam muito sódio (Na) e potássio (K) nos seus minerais e são denominadas de rochas alcalinas, por esta química especial. Não são rochas comuns na superfície da Terra e, portanto, são raridades a serem estudadas. Também, são pobres em sílica, muito diferentes das rochas mais comuns da superfície de nosso planeta. A singularidade do processo geológico que formou o Morro de São João fez com que próximo ao píer do Rio São João, que margeia o Morro de São João, fosse instalado um painel interpretativo do Projeto Caminhos Geológicos, que trata justamente desse contexto de formação das rochas. Sugere-se um passeio turístico de barco ao longo do rio cujo embarque localiza-se quase ao lado deste painel. Este local é, também, um sítio histórico com um casario colonial preservado. Neste mesmo local há, ainda, um painel do Projeto Caminhos de Darwin, já que Charles Darwin passou por Barra de São João em duas ocasiões (ida e vinda) durante sua excursão pelo estado do Rio de Janeiro em abril de 1832. Nele está transcrito uma pequena parte do diário do naturalista britânico: “Passamos por várias aglomerações de mata densa. Senti-me indisposto, com um pouco de calafrios e enjoo. Cruzei a barra de São João de canoa, ao lado de nossos cavalos. […] Viajamos até escurecer”. Ele não citou o Morro de São João, mas isto intriga a quem lê o diário, afinal este é um marco topográfico admirável para todos que passam pela região.

Referências: Mota, C.E.M.; Geraldes, M.C.; Almeida, J.C.H.; Vargas, T.; Souza, D.M.; Loureiro, R.O. Silva, A.P. 2009. Características Isotópicas (Nd e Sr), Geoquímicas e Petrográficas da Intrusão Alcalina do Morro de São João: Implicações Geodinâmicas e Sobre a Composição do Manto Sublitosférico. Geol. USP Sér. Cient., 9(1):85-100 | Mota, C.E.M. 2013. Petrogênese e geocronologia das intrusões alcalinas de Morro Redondo, Mendanha e Morro de São João: caracterização do magmatismo alcalino do Estado do Rio de Janeiro e implicações geodinâmicas. Tese (Doutorado), Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Geologia da UERJ, 204p. | Sichel, S.E.; Motoki, A.; Iwanuch, W.; Cargas, T.; Aires, J.R.; Melo, D.P.; Motoki, K.F.; Balmant, A.; Rodrigues, J.G. 2012. Cristalização fracionada e assimilação da crosta continental pelos magmas de rochas alcalinas félsicas do estado do Rio de Janeiro. An Inst Geocienc., 35:84-104